Fala-se muito sobre negociações para um acordo climático nesta COP30, em Belém, no Pará. Mas você sabe como elas funcionam? A Conferência do Clima da ONU dura apenas alguns dias, mas é apenas a fase final de um extenso processo de tratativas que orientam a política climática mundial, explica Lucas Turmena, pesquisador associado do Instituto para o Meio Ambiente e Segurança Humana da Universidade das Nações Unidas, em Bonn, Alemanha.![]()
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“Ao longo de todo ano são desenvolvidos diálogos temáticos, diálogos técnicos, destacam inclusive, por exemplo, os corpos subsidiários que são realizados em junho na cidade de Bonn, onde está localizada a Convenção-Quadro para a mudança do clima, e são realizadas algumas consultas técnicas que informam as decisões feitas aqui”.
Em Belém, neste momento, mais de 190 nações estão reunidas para debater documentos. O principal desafio é que eles precisam ser aprovados por consenso. Cada termo desses textos é analisado e discutido minuciosamente pelos negociadores, em reuniões fechadas.
Os negociadores são diplomatas, especialistas, indicados por cada país. Além disso, as negociações contam com a presença de observadores, que podem influenciar indiretamente nas decisões.
Esse trabalho começou com a definição dos temas da pauta pelo país sede, que organiza todo fluxo da negociação. Segundo o pesquisador da Universidade das Nações Unidas, agora estão sendo discutidos os detalhes sobre as metas de redução de emissões de cada país, os mecanismos de financiamento e as estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
“Nesse momento, se a gente for ali nesse grande corredor com diversas salas de reunião e olhar ali nos painéis na frente das salas, a gente vai ver diversas consultas informais sobre diferentes temas. Desde a regulamentação de artigos específicos do Acordo de Paris, desde a definição de mecanismos específicos para implementar esse Acordo de Paris”.
Os grupos de trabalho encaminham uma versão das propostas à presidência da Conferência, para serem submetidas à aprovação do plenário. Na maioria das vezes, o documento pode ser validado nessa etapa; caso contrário, o tema é adiado para a próxima COP, detalha Lucas Turmena.
“A gente vê isso, por exemplo, agora com o Fundo de Perdas e Danos, que é um fundo que foi aprovado já há duas copas atrás, mas encontra ainda, ao longo desses últimos anos, discussões para definir e como de fato ele vai ser operacionalizado, ou seja, foi uma definição parcial do resultado dessa negociação”.
Entre os tópicos mais relevantes em debate na COP30 estão a forma de implementação da transição energética, a proteção de biomas e o financiamento climático internacional.
Lucas Turmena exemplifica que os indicadores para a adaptação climática já vêm desde o Acordo de Paris, mas agora eles precisam de uma definição para se tornarem concretos. Ou seja, cabe à COP30 implementar esses indicadores traduzidos em realidade.
Outro exemplo foi a aprovação de doações anuais para os países menos desenvolvidos, na última COP. Cabe aos negociadores, em Belém, chegarem a um consenso para alcançar 1,3 trilhão de dólares anuais em doações tanto de governos, bancos, quanto do setor privado.
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