Caso ocorreu no primeiro dia letivo e envolveu orientações de ordem unida ministradas por policiais militares aposentados
Uma escola da rede estadual de ensino em Caçapava, que passou a adotar em 2026 o modelo cívico-militar, registrou erros ortográficos durante uma atividade conduzida por monitores no primeiro dia de aula, na segunda-feira (2). O episódio foi registrado em vídeo e divulgado pela TV Vanguarda.
Durante a atividade em sala, palavras relacionadas a comandos militares “descansar” e “continência” foram escritas no quadro com grafia incorreta (“descançar” e “continêcia”). Os termos fazem parte da chamada ordem unida, conjunto de movimentos padronizados utilizados em formações militares.
Correção durante a aula
Após a escrita no quadro, um dos monitores identificado como tenente Jeferson foi alertado sobre os erros e realizou a correção das palavras ainda durante a aula. Segundo registros em vídeo, a correção ocorreu após breve conversa com outra integrante da equipe presente na sala.
De acordo com a Academia Brasileira de Letras, as grafias corretas são “descansar” e “continência”.
Manifestação de entidades estudantis e sindicais
O episódio gerou manifestações públicas de entidades representativas. Em nota, a União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES) criticou a adoção do modelo cívico-militar no estado e afirmou que a implantação ocorre sem diálogo com a comunidade escolar.
Já o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) declarou, também em nota, que se posiciona contra o modelo, classificando-o como inconstitucional e questionando o uso de recursos da Educação e a contratação de militares aposentados para atuação nas escolas.
As manifestações foram divulgadas pelas próprias entidades e atribuídas às suas posições institucionais.
Alcance do modelo na região
Segundo dados oficiais, 11 escolas estaduais do Vale do Paraíba e região iniciaram o ano letivo de 2026 dentro do modelo cívico-militar, distribuídas em 10 municípios, com Bragança Paulista concentrando duas unidades.
No modelo adotado, os monitores são policiais militares aposentados, enquanto as atividades pedagógicas permanecem sob responsabilidade dos professores da rede estadual.
Posicionamento da Secretaria da Educação
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que todo o conteúdo pedagógico é elaborado e ministrado pelos docentes das escolas. Segundo a pasta, neste início de implementação, os monitores atuam exclusivamente na orientação de atividades relacionadas à disciplina e à promoção de valores cívicos.
A secretaria também informou que os monitores do Programa Escola Cívico-Militar passarão por avaliações semestrais de desempenho, que irão analisar a adaptação e a permanência em cada unidade escolar.
O caso segue repercutindo entre entidades educacionais e integra o debate público sobre a implantação do modelo cívico-militar na rede estadual paulista. A Secretaria da Educação informou que acompanha o processo de implementação do programa nas unidades participantes.
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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