Por Paulo Serra*

A retomada dos trabalhos no Congresso Nacional deveria ser marcada por debates estruturantes, responsabilidade fiscal e compromisso com o País real aquele vivido diariamente por milhões de brasileiros e brasileiras. No entanto, a aprovação de reajustes salariais para servidores do próprio Parlamento e a criação de uma escala de trabalho mais curta e flexível do que a enfrentada pelo trabalhador comum reacenderam o debate sobre privilégios no setor público.

Valorizar o servidor público é fundamental. Um Estado eficiente depende de profissionais qualificados, motivados e adequadamente remunerados. O debate sobre mérito e desempenho é legítimo. O que se questiona, aqui, é a ampliação de benefícios que, na avaliação do autor, criam uma elite funcional distante da realidade econômica enfrentada pela maior parte da população.

Quando o Congresso aprova aumentos salariais e condições diferenciadas para sua própria estrutura, em um contexto de dificuldades fiscais e desafios econômicos, o gesto pode ser interpretado como desconectado da realidade social do País.

O Brasil enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas e retomar crescimento sustentável. Nesse cenário, a manutenção de supersalários e benefícios específicos é vista, pelo autor, como contraditória em relação ao discurso de ajuste fiscal.

Além do impacto financeiro, há o simbolismo. Deputados e senadores exercem papel institucional e simbólico. Decisões internas do Parlamento repercutem na percepção pública sobre responsabilidade e equidade.

A discussão sobre jornadas mais flexíveis e modelos modernos de gestão é legítima. Contudo, a pergunta central levantada neste artigo é: tais avanços deveriam ser restritos a estruturas de poder ou discutidos de forma mais ampla para a sociedade?

Ao optar por reajustes e mudanças internas, o Congresso, na visão do autor, perde a oportunidade de liderar pelo exemplo. O desafio posto é reduzir privilégios e aproximar o Brasil oficial do Brasil real.

✍️ Sobre o autor

* Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e Políticas Públicas; graduado em Direito; professor universitário; 1º vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB; presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo; e ex-prefeito de Santo André-SP (2017–2024).

📝 Nota da Redação

Este texto é um artigo de opinião. As posições expressas são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal Impacto Cotia.

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Jornalista com especialização em Jornalismo Político e Consultoria e Certificação Ambiental, além de formação concluída em Jornalismo Investigativo pela Abraji. Atualmente, continua seus estudos em comunicação e crises públicas e privadas, ampliando sua atuação em áreas estratégicas da informação. Com uma escrita analítica, ética e profundamente conectada à realidade, constrói narrativas que vão além do óbvio, explorando os bastidores do poder e os impactos sociais da informação. Vinicius Mororó – Jornalista Atípico

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