A comparação entre as eleições estaduais de 2018 e 2022 em São Paulo indica maior presença de despesas relacionadas à comunicação digital nas campanhas ao governo. Dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral mostram registros de gastos com marketing, produção audiovisual, gestão de redes sociais e impulsionamento de conteúdo na internet. O movimento aponta para a consolidação de um mercado eleitoral cada vez mais digital e temporário.
Que os dados oficiais mostram
O sistema de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral permite consultar o total arrecadado por candidato, o total gasto na campanha, a lista de fornecedores e a natureza das despesas declaradas.
Entre os itens registrados nas eleições de 2018 e 2022 aparecem serviços classificados como publicidade e propaganda, produção de vídeo, consultoria de marketing, gestão de redes sociais e impulsionamento de conteúdo digital.
A análise comparativa indica maior presença de fornecedores e serviços ligados ao ambiente digital no ciclo mais recente.
A transformação da campanha em ambiente digital
Em 2018, as redes sociais já integravam as estratégias eleitorais. No entanto, televisão e mobilização presencial ainda tinham peso relevante.
Em 2022, a dinâmica se tornou mais intensiva no ambiente online. A campanha passou a depender da produção contínua de vídeos curtos, publicações diárias em redes sociais, impulsionamento segmentado e monitoramento em tempo real.
Plataformas como Meta Platforms e Google mantêm bibliotecas públicas de anúncios políticos, ampliando a transparência sobre publicidade eleitoral na internet.
A comunicação digital deixou de ser complementar e passou a ocupar posição estratégica central nas campanhas ao governo paulista.
O trabalhador comum na engrenagem eleitoral
As prestações de contas incluem pagamentos a empresas especializadas e, em alguns casos, a profissionais autônomos da área de comunicação.
Além de agências consolidadas, também atuam social media independentes, editores de vídeo freelancers, designers gráficos, criadores de conteúdo e pessoas que utilizam seus próprios perfis para apoiar candidaturas.
Com a ampliação das redes sociais, perfis pessoais passaram a funcionar como extensão da comunicação política.
Em alguns casos, profissionais utilizam suas contas próprias para publicar vídeos, depoimentos e conteúdos favoráveis a candidatos ou críticos a adversários. Essa atuação pode integrar estratégias de campanha quando vinculada a serviços contratados ou acordos profissionais.
O ciclo eleitoral e seus efeitos
Campanhas possuem início e término definidos pelo calendário eleitoral. Encerrado o pleito, a estrutura de campanha é formalmente desmobilizada.
Como as contratações acompanham o período eleitoral, o trabalho tende a ser temporário.
Para profissionais que concentram renda nesse intervalo, o encerramento pode representar impacto financeiro. A mobilização intensa durante a disputa com alta exposição pública e polarização também pode gerar desgaste emocional após o término da campanha.
Não se trata de afirmação de irregularidade, mas de consequência estrutural do modelo eleitoral, que opera por ciclos.
Fiscalização e transparência
A prestação de contas é obrigatória e analisada pela Justiça Eleitoral.
O controle recai sobre a regularidade das despesas, a identificação de fornecedores e o respeito aos limites legais de gastos.
Qualquer cidadão pode acessar as informações no sistema público do Tribunal Superior Eleitoral.
A comparação entre 2018 e 2022 indica que a campanha digital em São Paulo ganhou protagonismo na disputa ao governo.
Os dados públicos mostram maior presença de serviços ligados ao ambiente online, consolidando um mercado eleitoral que cresce durante a campanha e se retrai após o resultado das urnas.
A digitalização ampliou oportunidades temporárias de trabalho e envolveu novos perfis profissionais. Ao mesmo tempo, manteve o caráter cíclico e limitado ao calendário eleitoral.
Vinicius Mororó – Jornalista Atípico especializado em comunicação estratégica, jornalismo investigativo e análise política, atuando na liderança editorial do Jornal Impacto Cotia e na coordenação executiva regional de mídia.
