Órgão afirma que parceria com a U.S. Customs and Border Protection segue focada em inteligência, interceptação de armas e drogas, proteção do comércio exterior e combate financeiro ao crime organizado
Por Vinícius Mororó – Jornalista Atípico
A Receita Federal do Brasil afirmou, em resposta a perguntas enviadas por Vinícius Mororó, jornalista do Jornal Impacto Cotia, que a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) pelos Estados Unidos em instrumentos associados ao terrorismo internacional não altera a cooperação já existente entre a Receita Federal e a U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras norte-americana.
A manifestação foi enviada pela Seção de Comunicação Institucional da Receita Federal em São Paulo, após questionamentos feitos no contexto da apuração sobre os impactos jurídicos, diplomáticos, financeiros e operacionais da decisão norte-americana.
A reportagem anterior mostrou que, em resposta a perguntas enviadas por Vinícius Mororó, jornalista do Jornal Impacto Cotia, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que PCC e Comando Vermelho “operam em mais de uma dúzia de estados americanos” e representam ameaça à segurança pública norte-americana.
Leia a matéria sobre a resposta do Departamento de Estado:
https://jornalimpactocotia.com.br/pcc-comando-vermelho-operam-mais-de-12-estados-eua/
No caso da Receita Federal, o foco da resposta foi a cooperação operacional entre Brasil e Estados Unidos contra crimes transnacionais, especialmente tráfico internacional de armas, drogas, fraudes estruturadas, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Segundo a Receita, o governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda, anunciou em 10 de abril uma Cooperação Mútua entre a Receita Federal do Brasil e a U.S. Customs and Border Protection, denominada Projeto MIT – Mutual Interdiction Team.
De acordo com o órgão, a iniciativa busca integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes.
A Receita indicou como referência o comunicado oficial do Ministério da Fazenda:
https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/brasil-e-estados-unidos-fortalecem-cooperacao-estrategica-no-combate-ao-trafico-internacional-de-armas-e-drogas
Sobre os efeitos da designação feita pelos Estados Unidos, a Receita Federal foi direta: “Após a designação feita pelos Estados Unidos, nada muda em relação a esse acordo.”
A resposta delimita uma diferença importante. Enquanto Washington passou a tratar PCC e Comando Vermelho em instrumentos associados ao terrorismo internacional, a Receita afirma que a cooperação aduaneira e de inteligência com os Estados Unidos permanece voltada ao combate ao crime transnacional, sem alteração formal no acordo existente com a CBP.
Segundo a manifestação, a Receita Federal está focada em unir esforços não apenas com os Estados Unidos, mas também com outros países com os quais já mantém acordos semelhantes.
O órgão afirmou que o interesse das partes nesses acordos é compartilhar informações, melhores práticas e atuar de forma integrada para uma repressão mais efetiva à atividade criminosa sem abrir mão de suas soberanias.
Esse trecho é central porque responde a uma das principais preocupações levantadas após a decisão dos Estados Unidos: se a nova classificação poderia alterar a cooperação entre os países ou ampliar efeitos sobre órgãos brasileiros.
Pela manifestação da Receita, a cooperação segue dentro de uma lógica de atuação conjunta, mas preservando a soberania nacional.
A Receita também destacou a importância da proteção da estrutura de comércio exterior, definida pelo órgão como fundamental ao desenvolvimento socioeconômico do país. A manifestação menciona ainda a repressão a fraudes estruturadas infiltradas no sistema financeiro, usadas para sonegar tributos, lavar dinheiro e ocultar integrantes do alto escalão do crime organizado.
Segundo a Receita Federal, o órgão vem atuando para impedir a entrada de produtos ilegais no Brasil e para asfixiar financeiramente estruturas criminosas.
Na resposta, foram citadas as operações Fluxo Oculto e Rota do Fim, realizadas recentemente, como exemplos do comprometimento da Receita Federal com a segurança da sociedade brasileira.
A manifestação da Receita acrescenta uma nova camada à apuração iniciada pelo Jornal Impacto Cotia.
De um lado, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que PCC e Comando Vermelho operam em mais de 12 estados norte-americanos e utiliza instrumentos associados ao terrorismo internacional para isolar as facções, bloquear ativos e ampliar restrições migratórias e penais.
De outro, a Receita Federal brasileira informa que sua cooperação com a agência de fronteiras dos Estados Unidos continua inalterada e permanece concentrada em inteligência, fiscalização aduaneira, interceptação de armas e drogas, repressão a fraudes e proteção do comércio exterior.
A diferença de abordagem reforça o ponto central da série de reportagens: a designação norte-americana tem efeitos políticos e jurídicos amplos, mas sua aplicação prática no Brasil ainda depende de esclarecimentos específicos de cada órgão competente.
No caso da Receita Federal, a posição oficial recebida até agora é que a cooperação com a CBP segue em vigor, sem mudança decorrente da designação feita pelos Estados Unidos.
O tema continua em apuração, especialmente quanto aos efeitos da classificação sobre bancos, empresas, sanções internacionais, cooperação policial, registros judiciais e eventuais documentos públicos que detalhem a alegada atuação do PCC e do Comando Vermelho em território norte-americano.
Esta reportagem integra a editoria Investigações Impacto, dedicada à apuração de fatos de interesse público com base em documentos oficiais, dados públicos, decisões judiciais e apuração jornalística própria.
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✍️ Vinícius Mororó – Jornalista Atípico
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