Boletim de junho mostra menor valor real em quase 20 anos na região SP-5, enquanto exportações brasileiras de carne suína batem recorde no primeiro semestre.
Os preços do suíno vivo posto na indústria seguiram em queda em junho, segundo o Boletim do Suíno do Cepea. Foi o sexto mês consecutivo de baixa no mercado, pressionado pelo consumo doméstico enfraquecido e pela oferta elevada no setor. O Cepea/Esalq-USP acompanha indicadores do suíno vivo e da carcaça suína especial em diferentes praças do país.
Na região SP-5, que inclui Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, a média do suíno vivo em junho foi de R$ 5,25 por quilo. O valor representa queda de 2,9% em relação a maio e recuo de 41,2% na comparação com junho de 2025. Em termos reais, com valores deflacionados pelo IGP-DI de maio de 2026, o patamar é o menor desde julho de 2006.
O dado revela um cenário difícil para produtores, especialmente porque a sequência de desvalorização reduz a margem da atividade. Quando o preço pago pelo animal vivo cai de forma prolongada, o impacto chega diretamente à renda do suinocultor e aumenta a pressão sobre granjas, cooperativas e fornecedores ligados à cadeia produtiva.
Ao mesmo tempo, o setor encontrou nas exportações uma forma de aliviar parte da sobreoferta. De acordo com o boletim, os embarques brasileiros de carne suína no primeiro semestre de 2026 foram os maiores da história para o período. A demanda externa ajudou a escoar a produção diante de um mercado interno mais fraco.
Na relação de troca com insumos, junho trouxe um alívio parcial. Os preços médios do suíno vivo na praça SP-5, da saca de 60 quilos de milho e da tonelada de farelo de soja, negociados no mercado de lotes de Campinas, recuaram com intensidade semelhante. Com isso, foi interrompida a sequência de oito meses de relação desfavorável frente ao milho.
O mercado de carnes concorrentes também influenciou o cenário. A carcaça especial suína comercializada na Grande São Paulo recuou em junho, pressionada pelos estoques elevados da indústria. No entanto, como os preços da carcaça casada bovina e do frango resfriado caíram de forma ainda mais intensa, a carne suína perdeu competitividade diante dessas proteínas.
Na prática, o boletim mostra um paradoxo do setor em 2026: o Brasil exporta mais carne suína, mas o produtor ainda enfrenta forte queda nos preços internos. O desempenho recorde no mercado externo ajuda, mas não elimina os efeitos da demanda doméstica enfraquecida e da pressão dos estoques sobre as cotações.
A evolução dos preços nos próximos meses dependerá do ritmo das exportações, da reação do consumo no mercado brasileiro e do comportamento dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja. Para o produtor, o desafio será atravessar um período de margens apertadas até que a oferta e a demanda voltem a um equilíbrio mais favorável.
Fonte: Cepea/Esalq-USP.

