Atividade com crianças e adolescentes atendidos pelo serviço de saúde mental estimula socialização, experimentação sensorial e permite acompanhamento fora do ambiente tradicional de atendimento.
Farinha, ovos, leite, açúcar e interação. Para crianças e adolescentes atendidos pelo CAPS Infantojuvenil de Cotia, preparar um cupcake foi muito além de aprender uma receita. A atividade se transformou em uma oportunidade de convivência, autonomia, experimentação e cuidado.
A oficina de cupcake foi realizada por meio do projeto Pão na Mesa e reuniu crianças e adolescentes acompanhados pelo serviço de saúde mental. Durante a atividade, os participantes estiveram envolvidos em todas as etapas, desde o preparo da massa até a decoração e a degustação.
Coordenada pela assistente social Lucia Rosset, a iniciativa faz parte das ações realizadas fora do ambiente tradicional do CAPS. Segundo ela, esse tipo de atividade permite que a equipe observe comportamentos, vínculos e formas de interação que nem sempre aparecem durante os atendimentos dentro da unidade.
Lucia explica que algumas crianças apresentam atitudes diferentes na escola, em casa ou em espaços coletivos. Por isso, criar ambientes de convivência ajuda os profissionais a compreender melhor essas relações e ampliar as possibilidades de acompanhamento.
“Um tem que ajudar o outro, tem que fazer, tem que obedecer regras”, explicou. Durante a oficina, os profissionais puderam observar como cada participante reagiu às orientações, às outras crianças e aos adultos presentes.
Experiência faz parte do tratamento
Para o nutricionista Wadrian Antonio, a atividade também permite trabalhar questões ligadas à alimentação e aos estímulos sensoriais. Ao preparar os cupcakes, as crianças puderam tocar os ingredientes, perceber diferentes texturas, experimentar alimentos e participar ativamente da produção.
“Ver as crianças participando, experimentando coisas novas, mesmo que seja um cupcake, é muito importante durante o processo terapêutico. Elas têm uma nova vivência, uma nova experiência”, afirmou.
A oficina também ajuda os profissionais a acompanhar como os participantes se comunicam, respeitam combinados, dividem tarefas e interagem em um ambiente diferente do consultório.
“Isso é muito importante dentro do nosso processo terapêutico porque visa justamente à socialização e ao comportamento”, completou o nutricionista.
Quando uma receita ajuda a criar vínculos
O educador físico Expedito Pereira S. Neto destacou que levar as atividades para outros espaços é uma forma de promover inclusão social. Para ele, o cuidado em saúde mental também passa pela convivência em ambientes diversos, como cozinhas, ginásios, oficinas e espaços comunitários.
“O CAPS é um lugar de saúde mental importante, mas a gente quer ver as crianças em outros lugares também, nos ginásios de esporte, aqui na cozinha. É onde a gente faz a verdadeira inclusão social”, disse.
Além da experiência sensorial proporcionada pelo preparo dos alimentos, algumas atividades contam com a participação dos responsáveis, permitindo que a equipe acompanhe também a interação familiar.
Durante a oficina, Expedito observou uma mudança importante em uma criança que costumava apresentar dificuldade de comunicação. Segundo ele, em um ambiente mais leve e coletivo, ela conseguiu interagir e criar vínculos com outras pessoas.
“Uma criança que não se comunicava com ninguém, aqui teve interação, fez amizade com o pessoal. Às vezes, dentro de um ambiente fechado, isso não acontece. Essa é uma mudança significativa para a socialização”, contou.
No fim da oficina, cada cupcake pronto representou mais do que massa e cobertura. A atividade mostrou como experiências simples, quando bem conduzidas, podem fortalecer vínculos, estimular autonomia e criar novas formas de cuidado para crianças e adolescentes acompanhados pela rede de saúde mental.

