Formação prática mira autonomia de alunos com deficiência e muda rotina dentro da sala de aula

A Cotia deu um passo concreto na estrutura da educação inclusiva ao capacitar cerca de 550 auxiliares de classe da rede municipal. A formação, realizada no dia 29, integra um programa contínuo com cinco encontros ao longo do ano e tem impacto direto no atendimento a alunos com deficiência nas escolas públicas.

Divididos em turmas nos períodos da manhã e da tarde, os profissionais participaram do primeiro módulo da trilha formativa, focada em transformar a atuação prática dentro da sala de aula onde a inclusão, de fato, acontece.

O que muda na prática dentro das escolas

Os auxiliares de classe são os profissionais que acompanham diretamente alunos com deficiência durante as atividades escolares. São eles que ajudam a adaptar tarefas, facilitar a comunicação e garantir que o estudante participe das aulas sem isolamento.

A capacitação abordou pontos centrais para essa atuação:

  • desenvolvimento das funções executivas
  • uso de linguagem clara no ensino
  • estratégias para lidar com comportamentos desafiadores

A formação foi conduzida por Luciana Angelis, doutora pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, que trouxe um alerta direto: o auxiliar não pode substituir o aluno precisa desenvolver a autonomia dele.

Na prática, isso significa:

  • evitar fazer tarefas pelo estudante
  • estimular decisões e participação ativa
  • adaptar o ambiente, não limitar o aluno

Impacto imediato: mudança de comportamento profissional

O efeito da capacitação já aparece no cotidiano escolar.

Relatos dos próprios auxiliares mostram transformação direta:

  • maior segurança ao lidar com situações complexas
  • compreensão mais clara do comportamento infantil
  • melhora na interação com professores e alunos

Cristina de Oliveira Brás destacou que o curso resolve dúvidas que surgem no dia a dia. Já Maria Aparecida Nascimento dos Santos afirmou que passou a entender melhor tanto os alunos quanto a própria postura em sala.

Na prática, isso reduz conflitos, melhora o aprendizado e aumenta a participação dos alunos com deficiência.

Quem ganha e o que está em jogo

O investimento de Cotia revela um ponto crítico da educação pública: inclusão sem preparo técnico não funciona.

Quem ganha:

  • alunos com deficiência, que passam a ter suporte qualificado
  • professores, que deixam de atuar sozinhos em situações complexas
  • famílias, que veem evolução real no desenvolvimento das crianças

Quem perde quando isso não existe:

  • alunos excluídos dentro da própria sala
  • profissionais despreparados e sobrecarregados
  • a qualidade do ensino como um todo

O principal risco, se a política não continuar, é a formação se tornar pontual sem efeito estrutural. Inclusão exige continuidade, acompanhamento e atualização constante.

Inclusão é direito garantido por lei

A iniciativa está alinhada ao que determina a legislação brasileira.

A Lei Brasileira de Inclusão garante:

  • acesso à educação em escolas regulares
  • permanência com suporte adequado
  • igualdade de oportunidades no aprendizado

Sem profissionais preparados, esse direito não se concretiza na prática.

SERVIÇO AO LEITOR:

Profissionais da rede municipal devem acompanhar comunicados internos da Secretaria de Educação para os próximos encontros da formação, que ainda abordarão:

  • regulação emocional
  • comportamento em sala
  • estratégias avançadas de inclusão

Pais de alunos com deficiência podem buscar informações diretamente nas escolas ou na Secretaria de Educação para entender quais recursos estão disponíveis.

A capacitação de 550 auxiliares em Cotia não é apenas uma ação pontual é uma intervenção direta na qualidade da educação pública. A inclusão deixa de ser discurso e passa a ser prática quando quem está ao lado do aluno sabe exatamente o que fazer.

Se mantida com consistência, a iniciativa pode transformar não só o desempenho escolar, mas a experiência completa de alunos com deficiência na rede municipal.

Foto: Roberto Pires

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Jornalista com especialização em Jornalismo Político e Consultoria e Certificação Ambiental, além de formação concluída em Jornalismo Investigativo pela Abraji. Atualmente, continua seus estudos em comunicação e crises públicas e privadas, ampliando sua atuação em áreas estratégicas da informação. Com uma escrita analítica, ética e profundamente conectada à realidade, constrói narrativas que vão além do óbvio, explorando os bastidores do poder e os impactos sociais da informação. Vinicius Mororó – Jornalista Atípico

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