Vinicius Mororó – Jornalista Atípico 📸 Imagem: Roberto Pires
Campanha Maio Laranja mobiliza rede de proteção e alerta para crescimento dos riscos dentro de casa e no ambiente virtual
A cada hora, pelo menos três crianças sofrem algum tipo de abuso no Brasil. O dado abriu a programação do Maio Laranja em Cotia e serviu de alerta durante o encontro promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Realizado no saguão do Centro Administrativo de Cotia (CAC), o evento reuniu conselheiras tutelares, profissionais da assistência social, representantes de entidades e integrantes da rede de proteção para discutir prevenção, acolhimento e a importância da denúncia.
A abertura teve como protagonistas crianças e adolescentes do grupo musical Guaçatom, formado por jovens de Caucaia do Alto sob regência da maestrina Isa Uheara. A apresentação trouxe um tom simbólico ao encontro e reforçou a necessidade de cuidado e proteção da infância.
O debate, porém, foi marcado por um alerta recorrente entre especialistas: a maior parte dos casos de abuso e exploração sexual acontece dentro do círculo de confiança da vítima.
Pais, familiares, conhecidos ou pessoas próximas frequentemente aparecem entre os suspeitos, tornando a identificação mais difícil e aumentando o silêncio em torno da violência.
“Crianças não nascem monstros, nascem anjos e nós estragamos, mas podemos cuidar das crianças e fazer um mundo melhor”, afirmou o secretário adjunto de Desenvolvimento Social, José Bertuol.
Já o presidente da Associação Filantrópica Criança Feliz, Paul Ledergerber, destacou o papel da família.
“A formação das crianças começa em casa. A gente colabora, mas a principal tarefa é da família”, disse.
O que observar nas crianças e adolescentes:
Especialistas alertaram que muitas vítimas deixam sinais antes mesmo de conseguirem verbalizar a violência.
Entre os comportamentos que podem indicar situações de abuso estão:
• mudanças bruscas de comportamento
• isolamento
• alterações no sono e alimentação
• medo excessivo de determinadas pessoas
• mudanças repentinas na forma de vestir
• tristeza constante ou retraimento
Segundo psicólogas e conselheiras tutelares presentes, esses sinais exigem atenção imediata de pais, responsáveis e educadores.
O que muda para as famílias?
O encontro reforçou que a proteção não depende apenas da rede pública. A orientação é que pais e responsáveis observem comportamentos, respeitem limites e criem espaços seguros de escuta.
As profissionais também chamaram atenção para situações frequentemente normalizadas no cotidiano, como obrigar crianças a abraçar ou beijar adultos contra a vontade, comportamento que pode dificultar a construção da autonomia e do respeito ao próprio corpo.
Violência digital amplia preocupação da rede de proteção
Outro ponto que ganhou destaque foi o aumento dos casos de violência no ambiente virtual.
Segundo as profissionais, muitos responsáveis associam segurança apenas ao fato de a criança estar dentro de casa. No entanto, redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens passaram a integrar o cenário de risco.
A orientação é ampliar o acompanhamento digital, dialogar sobre segurança na internet e observar mudanças comportamentais após o uso dessas plataformas.
Durante a roda de conversa, uma das conselheiras resumiu o principal recado da mobilização:
“Ouvir salva vidas.”
A frase sintetizou o principal alerta do encontro: muitas vítimas demonstram sofrimento antes mesmo de conseguirem contar o que aconteceu.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima:
📞 Disque 100
🚔 Guarda Civil de Cotia 153
A campanha Maio Laranja utiliza a flor amarela como símbolo e busca conscientizar a sociedade sobre prevenção e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.
Representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, entidades assistenciais e instituições de acolhimento também participaram do encontro.

