“Sombras Musicais” será apresentado no feriado de 12 de outubro e aproxima crianças e jovens da música brasileira de concerto por meio de imagens, narrativa e projeções

Música de concerto, teatro de sombras e uma história sobre medo, conflito, respeito e amizade se encontram no espetáculo gratuito “Sombras Musicais”, que será apresentado no feriado de 12 de outubro, às 19h30, no CIAEI Centro Integrado de Apoio à Educação de Indaiatuba.

Voltada especialmente ao público infantojuvenil e às famílias, a apresentação busca diminuir uma barreira comum das salas de concerto: a ideia de que música orquestral é uma experiência distante ou difícil para crianças.

No palco, a Orquestra Paulista de Mulheres se une ao Ensemble dos Professores do Projeto Camerata Comunidade, da Associação Camerata Filarmônica de Indaiatuba (ACAFI), em uma montagem dirigida e regida pela maestra Larissa Macedo.

As projeções e a linguagem visual são assinadas pela artista Luísa Almeida.

A apresentação gratuita e a retirada de ingressos pelo Sympla estão confirmadas pela Prefeitura de Indaiatuba e pela plataforma oficial do evento.

Música que também pode ser vista

A proposta de “Sombras Musicais” é transformar a execução da orquestra em parte de uma narrativa.

Em vez de simplesmente assistir aos músicos interpretando as obras, o público acompanha personagens e imagens projetadas enquanto a música participa diretamente da construção dos ambientes, conflitos e transformações da história.

A trama acompanha Lina, uma jovem que, ao lado de seu grupo, passa a enfrentar um misterioso adversário.

Quando decide confrontá-lo, ela descobre que aquilo que parecia simplesmente agressividade também estava relacionado ao medo e à incompreensão.

A partir daí, o conflito abre espaço para diálogo, respeito, cooperação e amizade.

A descrição oficial do espetáculo destaca justamente essa combinação entre orquestra de cordas, projeções e narrativa como forma de aproximar crianças e jovens da música brasileira de concerto.

Música brasileira ocupa o centro do repertório

Outro diferencial é a escolha do repertório.

Em vez de concentrar o programa em compositores estrangeiros tradicionalmente associados à música clássica, o espetáculo coloca a produção brasileira de concerto no centro da experiência.

Entre as obras apresentadas estão:

  • “Serenata”, de Alberto Nepomuceno;
  • “Trespassos”, de Denise Garcia;
  • “Marionettes” e trechos relacionados a “O Contratador de Diamantes”, de Francisco Braga;
  • “Rêverie”, de Alexandre Levy.

A seleção não funciona apenas como trilha sonora.

As composições foram organizadas para acompanhar os diferentes momentos dramáticos da história, permitindo que música, imagem e narrativa avancem juntas.

Criança em sala de concerto não precisa ser exceção

Existe uma questão interessante por trás da proposta.

Salas de concerto ainda podem ser percebidas por algumas famílias como ambientes excessivamente formais, especialmente para quem tem crianças pequenas.

Esse receio cria uma barreira invisível para formação de novos públicos.

“Sombras Musicais” tenta fazer o movimento contrário: a criança não é uma presença tolerada no espetáculo; ela é parte do público para o qual a montagem foi concebida.

Para a diretora da ACAFI, Natália Larangeira, a intenção é justamente estimular esse primeiro contato de crianças e jovens com a música de concerto.

A estratégia faz sentido também do ponto de vista de formação cultural: ninguém desenvolve familiaridade com uma linguagem artística sem ter oportunidades de contato com ela.

Por isso, democratizar o acesso não significa apenas oferecer ingresso gratuito. Significa também criar experiências capazes de conversar com públicos que normalmente não frequentariam uma sala de concerto.

Uma história que não simplifica a música

Há outro mérito no formato.

Produzir conteúdo cultural para crianças pode cair facilmente em dois extremos: apresentar um repertório complexo sem mediação ou simplificar excessivamente o conteúdo na tentativa de torná-lo acessível.

A proposta de “Sombras Musicais” procura outro caminho.

A narrativa e as imagens funcionam como portas de entrada para obras originalmente compostas dentro da tradição da música de concerto.

Assim, crianças acompanham uma história visual enquanto escutam uma orquestra interpretar compositores brasileiros.

A música não é substituída pela animação. A animação ajuda o público a entrar na música.

É uma diferença importante.

Mulheres também ocupam o centro da música de concerto

Criada em 2020 pela maestra Larissa Macedo, a Orquestra Paulista de Mulheres nasceu com a proposta de ampliar a presença feminina no universo orquestral e divulgar a produção musical brasileira.

A atuação do grupo também envolve pesquisa e recuperação da produção de compositoras.

Larissa é fundadora e diretora artística da formação e atualmente desenvolve pesquisa acadêmica na Universidade Estadual Paulista (Unesp) relacionada à obra da compositora brasileira Dinorá de Carvalho.

Segundo informações divulgadas oficialmente pela Prefeitura de Indaiatuba, a maestra também desenvolveu atividades no exterior e, em 2025, regeu a Orquesta Filarmónica de Mujeres de Bogotá, na Colômbia.

O projeto “Sombras Musicais” foi contemplado pelo ProAC nº 06/2023 e integra as ações da orquestra voltadas à formação de público, à música brasileira e à valorização da presença feminina no cenário musical.

Parceria com músicos de Indaiatuba

A apresentação terá ainda a participação do Ensemble dos Professores do Projeto Camerata Comunidade, iniciativa ligada à ACAFI.

O Camerata Comunidade desenvolve atividades de formação musical em Indaiatuba, aproximando crianças e adolescentes de instrumentos de cordas, canto e prática coletiva.

A atuação da associação não se limita aos grandes concertos.

Em apresentações realizadas ao longo de 2026, a ACAFI reuniu alunos, professores e grupos ligados a projetos de formação, incluindo turmas do próprio Camerata Comunidade e estudantes atendidos em equipamentos sociais do município.

Isso cria uma conexão interessante na apresentação do Dia das Crianças: músicos profissionais, educadores, formação artística e público jovem se encontram dentro do mesmo projeto.

Cultura como experiência, não apenas entretenimento

“Sombras Musicais” também levanta uma discussão maior sobre programação cultural para crianças.

Uma atividade de Dia das Crianças não precisa necessariamente se restringir ao entretenimento imediato.

Ela pode apresentar novas linguagens, ampliar referências e colocar o público em contato com obras que talvez não apareçam no cotidiano escolar ou familiar.

Nesse sentido, oferecer gratuitamente uma experiência envolvendo orquestra, música brasileira, dramaturgia e artes visuais amplia o alcance cultural do feriado.

Para algumas crianças, poderá ser apenas um passeio em família.

Para outras, poderá ser o primeiro contato com uma orquestra tocando ao vivo.

E formação de público começa justamente aí.

Serviço

Sombras Musicais Música, sombras e uma jornada de transformação

📅 Data: 12 de outubro de 2026

🕢 Horário: 19h30

📍 Local: CIAEI Centro Integrado de Apoio à Educação de Indaiatuba

Endereço: Avenida Engenheiro Fábio Roberto Barnabé, 3665 — Jardim Regina, Indaiatuba (SP)

🎟️ Entrada: gratuita

🎼 Orquestra: Orquestra Paulista de Mulheres

🎻 Participação: Ensemble dos Professores do Projeto Camerata Comunidade — ACAFI

Direção artística e regência: Larissa Macedo

Arte: Luísa Almeida

Ingressos: retirada pelo Sympla, conforme disponibilidade.

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Jornalista especializado em Jornalismo Político, Jornalismo Investigativo e Consultoria Ambiental, com atuação voltada à análise crítica, comunicação estratégica e cobertura de impacto público. Atualmente aprofunda estudos em gestão de crises públicas e privadas, ampliando sua atuação nas áreas de comunicação institucional e inteligência editorial. Fundador e articulador de uma das maiores redes regionais de mídia digital em expansão no estado de São Paulo, atua na coordenação editorial e distribuição de conteúdo para dezenas de portais de notícias, com presença em diversas cidades paulistas. Com linguagem analítica, posicionamento crítico e forte conexão com a realidade social, desenvolve narrativas que vão além do factual, explorando os bastidores do poder, os impactos da informação e os movimentos que moldam a sociedade contemporânea.

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