Comércio eletrônico projeta cerca de 18,5 milhões de pedidos em 2026, enquanto estabilidade do ticket médio indica crescimento puxado principalmente pelo aumento das compras

O Dia das Crianças deve movimentar cerca de R$ 10,16 bilhões no comércio eletrônico brasileiro em 2026, consolidando a data como uma das principais oportunidades para o varejo no segundo semestre.

A projeção atribuída à Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom) indica aproximadamente 18,49 milhões de pedidos, diante dos 16,76 milhões registrados no período equivalente de 2025.

O avanço esperado ocorre às vésperas de um período decisivo para o comércio, que ainda terá pela frente a Black Friday e as compras de Natal.

Mas os números revelam um detalhe importante: o crescimento não deve vir de consumidores gastando muito mais em cada compra.

O ticket médio projetado é de R$ 549,72, praticamente estável em relação aos R$ 547,05 registrados em 2025.

Na prática, isso indica que o avanço do faturamento tende a ser sustentado principalmente pelo aumento do número de pedidos, e não por uma forte elevação do valor gasto em cada compra.

Mais pedidos, mas consumidor continua atento ao preço

A combinação entre crescimento das vendas e estabilidade do ticket médio ajuda a mostrar um consumidor que continua comprando, mas permanece atento ao orçamento.

Para os lojistas, isso significa que simplesmente aumentar preços ou depender do apelo da data pode não ser suficiente.

Preço competitivo, prazo de entrega, facilidade de pagamento, confiança na loja e experiência de compra tendem a ganhar peso na decisão do consumidor.

Em datas comemorativas, essa disputa é ainda mais intensa porque diversas empresas passam a concorrer simultaneamente pela mesma intenção de compra.

O cenário também cria uma oportunidade para pequenos e médios comerciantes que conseguem oferecer produtos diferenciados, atendimento rápido e entrega regional.

E-commerce ganhou força no último Dia das Crianças

O desempenho de 2025 ajuda a explicar as expectativas positivas para este ano.

Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostram que as vendas do comércio eletrônico cresceram 9,7% na semana do Dia das Crianças de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O crescimento online foi superior ao registrado nas lojas físicas, que avançaram 6%.

Entre os segmentos relacionados à data, Turismo e Transporte cresceram 11,8%, seguidos por Recreação e Lazer, com 6%; Vestuário, 3,7%; Lojas de Brinquedos, 2,7%; e Livrarias e Papelarias, 2%.

O resultado mostra uma mudança interessante no próprio conceito de presente.

Embora brinquedos continuem associados diretamente ao Dia das Crianças, parte do dinheiro movimentado pela data está indo também para experiências, viagens, lazer, roupas e outros tipos de consumo familiar.

Dia das Crianças virou disputa muito maior do que brinquedos

A expansão das compras online ampliou também a quantidade de setores interessados no Dia das Crianças.

Além das tradicionais lojas de brinquedos, participam dessa disputa marketplaces, lojas de roupas e calçados, eletrônicos, papelarias, livrarias, entretenimento, turismo e alimentação.

Isso significa que o consumidor encontra uma quantidade cada vez maior de ofertas.

Para os comerciantes, porém, também significa enfrentar mais concorrência.

Nesse ambiente, publicidade digital, marketplaces, redes sociais, mecanismos de busca e estratégias de relacionamento com clientes passaram a ocupar espaço relevante na disputa pela venda.

Retail media cresce dentro das próprias plataformas

Uma das estratégias que ganhou espaço no comércio eletrônico é o chamado retail media.

O modelo utiliza espaços publicitários existentes dentro dos próprios ambientes de compra, como marketplaces, aplicativos e sites de comércio eletrônico.

Em vez de uma publicidade exibida para um público amplo, a lógica é apresentar produtos e ofertas quando o consumidor já está próximo de tomar uma decisão de compra.

Empresas que atuam nesse mercado defendem que a estratégia pode aumentar conversão e receita.

Isso, porém, não significa automaticamente vantagem para o consumidor.

Quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas de publicidade dentro das plataformas, mais importante também fica distinguir recomendação orgânica de produto, publicidade patrocinada e promoção comercial.

Transparência nesse processo é essencial para que o consumidor saiba por que determinado produto está sendo apresentado.

Consumidor deve comparar antes de comprar

O crescimento do comércio eletrônico traz conveniência, mas também aumenta a necessidade de atenção.

Antes de fechar uma compra para o Dia das Crianças, algumas verificações simples podem evitar prejuízos:

  • comparar preços em mais de uma loja;
  • observar o valor total com frete;
  • verificar o prazo de entrega;
  • conferir a reputação da empresa;
  • desconfiar de descontos muito superiores aos praticados pelo mercado;
  • conferir endereço eletrônico e dados da loja antes do pagamento;
  • evitar pagamentos direcionados a pessoas ou empresas desconhecidas sem confirmar a origem da oferta.

No comércio eletrônico, o consumidor também possui direitos específicos.

Pelo Código de Defesa do Consumidor, compras feitas fora do estabelecimento comercial, inclusive pela internet, podem ser canceladas dentro do chamado direito de arrependimento, observadas as condições previstas no artigo 49 do CDC.

Fraudes também aproveitam datas de grande consumo

O aumento da procura por presentes costuma ser acompanhado por maior circulação de anúncios, mensagens promocionais e links de pagamento.

É justamente nesse ambiente que golpes podem se misturar às ofertas legítimas.

Sites falsos que imitam grandes varejistas, anúncios que direcionam para páginas fraudulentas e promoções enviadas por redes sociais e aplicativos de mensagens são alguns dos riscos.

Antes de efetuar o pagamento, o consumidor deve confirmar se está realmente no site ou aplicativo oficial da empresa.

No caso de PIX, é importante conferir nome e identificação do destinatário antes de autorizar a transferência.

Preço extremamente abaixo da média deve ser tratado como sinal de atenção, não como oportunidade automática.

Oportunidade também para o comércio regional

Embora as projeções sejam nacionais, o crescimento das compras digitais também abre espaço para empresas de Cotia, Barueri, Osasco, Guarulhos, Santo André e São Bernardo do Campo.

Pequenos comerciantes não precisam necessariamente competir apenas pelo menor preço com os grandes marketplaces.

Entrega rápida na própria região, retirada presencial, atendimento pelo WhatsApp, produtos personalizados e relacionamento com clientes locais podem se transformar em diferenciais.

Para quem vende, o Dia das Crianças pode funcionar também como preparação para a Black Friday e o Natal.

O cliente conquistado agora pode voltar a comprar nas próximas duas grandes datas comerciais do ano.

Crescimento exige olhar além do faturamento

Um mercado superar a marca dos R$ 10 bilhões chama atenção.

Mas faturamento isoladamente não revela toda a realidade do setor.

O dado mais interessante para 2026 está justamente na combinação entre mais pedidos e ticket médio praticamente estável.

Isso sugere expansão da atividade, mas também aponta para um consumidor que continua controlando quanto pretende gastar.

Para empresas, a disputa deverá ser menos sobre simplesmente colocar produtos na internet e mais sobre conseguir oferecer preço, confiança, conveniência e uma experiência que faça o consumidor concluir a compra.

Para os consumidores, a regra continua simples: a facilidade de comprar em poucos segundos não deve substituir a comparação de preços e a verificação da segurança da oferta.

SERVIÇO AO CONSUMIDOR

Em caso de problemas com compras, o consumidor pode procurar o Procon, registrar reclamação na plataforma Consumidor.gov.br ou buscar os demais órgãos de defesa do consumidor.

Em situações envolvendo suspeita de fraude financeira, é importante comunicar imediatamente o banco ou instituição de pagamento utilizada e registrar a ocorrência nos canais policiais adequados.

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Jornalista especializado em Jornalismo Político, Jornalismo Investigativo e Consultoria Ambiental, com atuação voltada à análise crítica, comunicação estratégica e cobertura de impacto público. Atualmente aprofunda estudos em gestão de crises públicas e privadas, ampliando sua atuação nas áreas de comunicação institucional e inteligência editorial. Fundador e articulador de uma das maiores redes regionais de mídia digital em expansão no estado de São Paulo, atua na coordenação editorial e distribuição de conteúdo para dezenas de portais de notícias, com presença em diversas cidades paulistas. Com linguagem analítica, posicionamento crítico e forte conexão com a realidade social, desenvolve narrativas que vão além do factual, explorando os bastidores do poder, os impactos da informação e os movimentos que moldam a sociedade contemporânea.

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